sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Meu Silêncio

Meu Silêncio

O sol está a nascer
perdeu seu brilho
com meu desejo de te ver
não reflecte o azul do mar
os pássaros que voam
deixaram de cantar
com suas penas escrevem
teu nome
na neblina ao esvoaçar...

Meu silêncio domina o dia
lá fora é tudo banal
hoje não vai anoitecer
o ser já deixou de ser
com as horas a passar

o sonho é pesadelo
o campo não é tão belo
perdeu sua forma real
o dia impera até a noite chegar

Atrás da minha janela
oiço o soprar do vento
como um passo mágico
volta o silêncio

Olho para o céu
vejo a lua minguante
não é tão bela como a lua cheia
e menos insinuante
é lua nua
sem pudor na rua...

Sem brilho do sol
sem lua cheia
nem brilho do mar
sem dia findado
meu silêncio não existe
porque me arrependo
muitas vezes de ter falado
e nunca de me ter calado..

30AGO2013
                     Otília Matos









quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Meu Dossier

Quero enriquecer meu dossier
aumentar minha roda gigante
alegrar minha viagem
perceber minha etapa
colorir esta passagem

Ensinar ao aprender
por esta roda descrito
no ciculo deste carrocel
que não pára e só dispara
que só vai e, não vem..
 que é a Vida...

Bons e maus presságios
uns com sucesso outros com menos
arquivados em meu dossier
rolando nesta roda que não pára
que é a vida, e única que temos...

 29AGO2013
 Otília Matos



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Leveza do Amor

Nosso amor é tão leve como uma pluma
uma brisa que sopra ao de leve
livre como uma lágrima que se solta
sensível como um floco de neve
prende-me nos laços de teus braços
acorda-me em almofadas de espuma

Quero acordar a teu lado
partilhar o amor e a refeição
a alegria e a tristeza
deitada na mesma cama
sentada contigo á  mesa
aprender como se ama...
partilhando o  coração...

Pode não ter côr
preto ou branco não interessa
pode ser rosa, azul ou amarelo
ou das cores do arco íris
sei que é lindo o que vivemos
e o jeito como te quero...

Não se escolhe porque é ínvísível
dos nossos olhos se projecta
com nossos gestos desenhamos
como nada é impossível
como do cupido sai uma seta
e coloridas figuras de  amor
desenha-se na palma da mão
dando a vez ao coração
com muita intensidade
vivemos nosso amor...

23AGO2013
Otília Matos

Procurando na Areia

Vou procurar-te na areia
talvez de grão em grão
em noite de lua cheia
de olhos postos no céu
espreitando a tempestade
para não deixar voar
e não perder teu coração

Será por tempo infinito
assim como o espaço celeste
e um amor que nunca esquece
e que sempre se defende
deslizará entre meus dedos
como se  fossem minha rede

Olhando o azul do mar
e a espuma das ondas
tão brancas  no seu rebentar
vou esperando tua resposta
talvez do bico de uma gaivota
sentada olhando o mar

Leio seus passos na areia
queria que teu nome escrevessem
o que será impossível
são apenas  minhas amigas
oferecendo suas cantigas
como se me conhecessem
quando a noite caír
vou procurar-te no invisível
quando elas forem dormir...

22AGO2013  Otília Matos







Amor Agridoce

Apetece-me amar junto ao mar
estar contigo abraçada
em teus braços aninhada
sem calor nem frio
apenas por ti temperada
 para acalmar meu pavio

Abafar meu olhar
com teus olhos nos meus
soltando  palavras
de meus lábios
colados aos teus...

Sentir  o cheiro da marsia
como nosso perfume marinho
ao luar deitados na areia
em noite de lua cheia
 ter a lua como companhia
 fazer na areia nosso ninho...

Seria nosso castelo dourado
já que a lua é de todos
e a praia partilhada
 para viver nosso amor
debaixo de uma noite estrelada
e acordar ao teu lado...

Mágico nosso entardecer
a espreitar o por do sol
assim como a aurora a romper
na sua auréola dourada
com o canto dos pássaros
a anunciar a alvorada...

22AGO2013  Otília Matos

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Quadro de desertificação do Malhão

Malhão

Meu lugar do coração ,
sitio que me viu crescer
aonde era escasso até o pão
muitas famiíias numerosas
alimentadas pelos serviços
de um patrão
uns como pastores
outros como rurais
a vida era simples
mas muito familiar
com muito amor no coração
criaram-se laços e raízes
que nunca esquecerão.
Com muitas lágrimas de saudade
de vidas passadas
que se soltam na calada da noite e tiram o sono
a molhar almofadas.
Com grande sacrífício
muitas casas foram construídas
a pensar no futuro dos filhos e dos netos
pensando em novas metas
que por arrogância maldade e prepotência
foram demolídas para ninguém lá voltar
e as saudades matar.
Foi tudo negado por um fazendeiro maldoso
que não era patrão
e correu com toda a família
como tio  cunhado e irmão
ficando sózínho com  sua raiva
arrasando casas  muros e pomares
depois da desertificação
como se arrancado do coração.
Nada levaram na mala
apenas tristeza e saudade
procurando novas vidas
á procura de terra firme
procurando outro pão....
Agora apenas existe mata e floresta
sem caminhos transitáveis,
as fontes secaram, as ribeiras arrasaram
apenas existem os pássaros e saudades
porque teêm asas para voar
naquele saudoso lugar
que lhe foi negada a iluminação.
 tendo o sol, e ainda existem flores.
 Muitas canções foram cantadas
 pelos avós aos netos ensinadas
 muitas danças dançadas
 por gente simples e felizes
 aonde tinham suas raízes
 e se contentavam com o nada...
 e conheceram seus amores..
 Não conseguiram dar seguimento
 naquele lugar por tantos amado
de tão valiosos princípios
ao que lhes foi ensinado..
Aonde se dormia de porta aberta
ou na rua olhando as estrelas
iluminado pelo Luar
naquele maravilhoso Lugar...
Culpa de um só índivíduo de seu nome Eduardo...
21AGO2013 Otília Matos