Ás vezes onde estou, fico á noite a contemplar as estrelas que quase me tocam de tão próximas que parecem estar. Procuro uma resposta que lá devia de estar: sobre o destino do universo e do meu, não sei a resposta e acho que desisti de entender, porque na verdade o universo não existe, se tudo á sua volta deixa de existir e de ter sentido é o nada; conforme é a ausência de tudo.
Tudo o que se possa dizer, é inútil como os sinais destes tempos estupidos de agora: em que falamos mais do que entendemos.Todos têem terror do silêncio, da solidão e correm todos em massa para onde toda gente vai; e, vivem a bombardear-se com telefonemas e mensagens escritas, mails, contactos no facebook, redes sociais na net, onde se oferecem como amigos de pessoas que nunca viram.
Em vez do silêncio falam sem cessar; em vez de se encontrarem contactam-se para não perder tempo; em vez de se descobrirem, expõem-se logo por inteiro: fotografias deles e dos filhos, das férias e de festas de amigos em casa, biografia das suas vidas com amores antigos e actuais.
E todos são bonitos, jovens, divertidos, leves, disponíveis, sensiveis e interessantes. E por isso é que vivem esta estranha vida . Porque embora julguem ter o mundo aos pés não aguentam um unico dia de solidão.
Prefiro habituar-me á solidão onde oiço o tempo a passar, e ás rugas; isso não me angustia mais: e, sei o que é justo: e, que tudo o resto é falso!..
Gosto do silêncio que é a coisa mais bonita e mais difícil de partilhar entre duas pessoas!...
Por isso se escreve, porque escrever é o oposto de falar:
é escrever as palavras que se guardaram:
Quando se fala demais; já não resta nada para escrever!..
Há alturas que a beleza da paisagem é tão devastadora que magoa; e dou comigo a comtemplar,talvez como a sentir-me um pessoa livre e esse sentimento transporta-me para uma liberdade imensa e tirada de um sonho que me perseguiu por muitos anos:
E a ser dona daquilo que vejo, porque a terra é do dono mas a paisagem é de quem a sabe olhar, e é assim comigo: sou dona de tudo o que os meus olhos alcançam...e é tudo meu; o universo inteiro, me levando á felicidade e ao engano, que: as duas coisas andam frequentemente confundidas...
Quando amanhece gosto de ver nascer o sol...tem um encanto uma magia indiscritível...é uma nova vida iniciada, o inicio de uma verdade e única que vivemos, um dia de cada vez, parece uma frase feita,mas muito real...
Gostava de ser dona das mais belas palavras que pudessem descrever a beleza da natureza:
dos campos verdejantes, com sua onda galopante do soprar dos ventos, como se fossem a fugir de nós:
A Primavera, a começar a florir com suas flores brancas,amarelas e de todas as cores..
dos vales, das encostas e das serras floridas.
Primavera com toda a sua essência, mistura de cores e aromas naturais,
Da procriação da existência de todo o ser vivo.
As correntes de água nas ribeiras formadas pela chuva e suas quedas de água a fazerem cascatas nos rochedos.
O Chegar das andorinhas, do Cucu e todas as aves migratórias...
Tudo isto faz parte de uma grande riqueza e realidade que é a Vida!..
Não sou velha nem vou ser, porque ser velho é ter vida!...
Mas deixo um alerta:
Chamem saudusismo, velhice, vida mal resolvida, medo da morte, falta de informação, analfabetismo..
Mas uma certeza existe nisto: É uma realidade que todos vão lá Chegar!...
E querem mesmo chegar para isso todos lutam:
Uns com êxito, outros com menos êxito ficando pelo caminho!....Esses nós lamentamos!...
"Otília"
Serra da Arrábida vista sobre praias e Tróia
nascer do sol