quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Realidade escondida


Tenho fome de
tua boca,
de tua voz, teus cabelos
e pelas ruas vou sem me nutrir, calada,
não me sustenta o pão,
a aurora me desconcerta,
procuro o líquido som de teus pés pelo dia.
.
Faminta estou de teu sorriso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer tua pele como intacta amêndoa. "
.
Otília Matos

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