Como é bom recordar aquela Infância ,onde a roupa de Verão era a de Inverno ,e andar calçado era ser remediado, a escola um armazém de tectos sem forro onde chovia e tinhamos os morcegos e ratos como companhia...as professoras batiam com autorização dos pais..mas tudo isso fazia sentido para quem desconhecia outras realidades...os pais trabalhavam do nascer ao pôr do sol...quando não tinha escola era deixada aos cuidados de meu avô..paterno q saudades eu tenho daquela vós táo doce e meiga, quando chamava por mim e meu irmão para dividir a refeição conosco; refeição essa por ele cozinhada, e que tão bem educou o nosso paladar!.quando chegava da escola ao entardecer deitava-me na soleira da porta encima de uma pedra de ardozia aquecida pelo sol, durante o dia:e aí adormecia esperando que meus pais regressassem do trabalho depois de caminharem largos kms a pé...que saudades eu tenho daquele tempo onde se podia fazer do céu e das estrelas o nosso tecto ,dormia-se em casa de porta aberta, confiava-se naquele( mundo) sem vandalismos, aprendiamos a confiar ,e não perdíamos a inocência: aprendia-se mtº mesmo sem haver tantos cursos e tanta gente formada aprendiamos a respeitar e a ser respeitado!...isso ainda se nota na nossa geração...que saudades daquelas Primaveras anunciadas ,com ruído dos caldeiros da regas a regar as hortas ao cair do dia, o cheiro das queimadas ,o florir dos campos com flores de rara beleza algumas já em vias de extinção...o cantar dos rouxinóis nos fetais a chegada do cucu das andorinhas..e todas as aves migratórias e outras já extintas...que saudades daqueles baloiços presos nas arvores onde brincava e os escorregas por nós inventadoss encima de uma lage na inclinação da encosta...como eu gostava de poder mostrar aos meus netos como aquelas brincadeiras eram divertidas e como o brilho do sol o cheiro da terra e dos campos e o clima era diferente..aquele pão fabricado com a farinha de trigo levado ao moinho para ser moìdo ; e cozido em forno de lenha onde se comia quentinho acabadinho de sair do forno fazia-se umas tibornas com azeite da casa, que bem sabia!.o leite tb era directamente do animal.que delícia !..a fruta tinha um aspecto e um sabor fantastico sem pragas nem pesticidas..posso dizer que já conheci o Paraíso!..e agora dou comigo a recordar tudo isto , entre uma e outra estação do metro, e a zelar pela minha segurança, como tudo mudou e,não volta mais... cada vez gosto mais de ler os nossos poetas porque retratam tudo isto e mtº mais...))
11 MAI2012
por: Otília...
por: Otília...
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